
REGRESSO ÀS AULAS
Acordei a tempo de ouvir o despertador tocar, honestamente nem sei porque me dei ao trabalho de o ligar ontem à noite.
Há 5 anos que temo este dia. Como pode a sociedade esperar que uma mãe aceite abandonar o seu filho num local cheio de perigos? E se a pessoa responsável por ti for… má?! E se alguém roubar o teu lanche? Ou se outro menino se meter contigo? Como posso eu ajudar-te não estando lá?.
No meio de tanta preocupação e unhas roídas, quase deixava de notar a tua felicidade.
Acordaste sem reclamar. Com um sorriso de orelha a orelha e pura emoção no rosto. Sem uma única queixa saltaste da cama e correste para a banheira.
Credo, quando é que aprendeste a fazer isso sozinho?
Fui fazendo o que pude para me entreter enquanto tu crescias a olhos vistos. Preparei-te o mesmo pequeno almoço que a minha mãe me preparou a mim: torradas e leite quente com Coqui.
Eventualmente lá chegaste, com a roupa que escolhi para ti já vestida. Não estavas perfeito, camisola torcida aqui e ali, não tinhas o teu cinto nem os sapatos atados. Afinal ainda precisavas de mim.
Chegou a hora.
De mochila às costas lá partimos para o teu primeiro dia de escola.
Estavas calado devido aos nervos, mas nem esses te tiravam o sorriso da cara. Nem mesmo quanto te deixei à porta da sala, para a qual correste sedento de conhecer os teus novos amigos. Os teus companheiros de aprendizagem e aventuras.
Se ao menos soubesses o que te espera. Todas as histórias que estás prestes a viver.
Por favor, nunca te esqueças de mas contar até ao mais ínfimo dos pormenores.



