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Em tempos combati dragões, hoje acompanho as tuas aventuras.

Como todos os heróis, de todas as histórias que merecem ser lembradas, a minha aventura começava na forja do meu castelo – casa do meu avô.

O meu avô nunca achou muita piada à profissão que as minhas aventuras lhe atribuíram, mas também nunca se queixou, e ferreiro ou não, lá me construiu uma espada merecedora de feitos heroicos.

Era de madeira, com um punho trabalhado de forma a que não se espetassem lascas na minha mão devido ao esforço da batalha. A lâmina, apesar de aparentar ser romba, encontrava-se protegida e afiada por magia e era mais afiada que as melhores facas da minha mãe.

 

Com a arma embainhada entre as calças e o cinto, eu procedia então às verificações normais sobre a condição física do meu nobre corcel – o meu pai teimava em chamar-lhe “bicicleta”.

Antes de cada aventura, é crucial garantir que este esteja em condições de correr tanto na direção do perigo, como na direção oposta, caso uma retirada estratégica fosse a melhor opção.

Pronto para a batalha da minha vida – que costumava ocorrer pelo menos uma vez por semana – eu partia a toda a velocidade em direção ao covil do dragão. Nunca percebi porque é que o terreno baldio por detrás da vila atraia tantas e tão perigosas criaturas, mas reza a lenda que existia ouro enterrado algures.

Ao chegar ao seu covil, a batalha começava.

*ZÁS* TRÁS*

PARA TRÁS BESTA! NUNCA VAIS CONSEGUIR CONQUISTAR ESTA TERRA! PARA TRÁS!

*ZÁS*

 

E assim continuava a nossa briga, eu um grande guerreiro ainda rapaz e ele um monstruoso dragão, enquanto esperávamos que um de nós caísses, ora de exaustão, ora de vez.

Por sorte, nunca fui eu o primeiro a cair. Não consigo sequer imaginar os horrores a que seria submetido.

Exausto, sujo e vitorioso, fazia o meu caminho de volta a casa, onde a minha mãe me tinha preparado um lanche digno de um cavaleiro da minha posição e o meu pai perguntava-me sempre, entre sorrisos trocados com a minha mãe, que tipo de fera tinha enfrentado.

Os sorrisos de orgulho e gratidão estavam claramente estampados nos seus rostos.

Assim eram os nossos lanches ao fim de semana, entre cada aventura mirabolante vinha um copo do delicioso Coqui, para que eu recuperasse energias.

Em tempos combati dragões. Hoje vejo-te a ti crescer, correr, lutar e sonhar. Vejo-te tornares-te lentamente no homem que vais ser. E tal como me fizeram a mim, cá te espero no final de cada aventura. Com ouvidos atentos, coração cheio de orgulho e claro.

Um copo de Coqui para que continues a lutar.

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